FORMAÇÃO DE PROFESSORES, SAÚDE MENTAL E DOCÊNCIA NO CONTEXTO DA EDUCAÇÃO ESPECIAL
DOI:
https://doi.org/10.66104/bn1ra424Palavras-chave:
Formação de professores; Saúde mental docente; Educação especial; Adoecimento psíquico; Condições de trabalho.Resumo
O presente estudo analisa a relação entre formação de professores, saúde mental e exercício da docência no contexto da Educação Especial, com foco nas implicações das condições formativas e laborais para o adoecimento psíquico e o bem-estar docente. Parte-se do pressuposto de que a atuação em contextos inclusivos impõe demandas específicas que tensionam a formação inicial e continuada, exigindo competências pedagógicas, emocionais e relacionais frequentemente não contempladas de modo suficiente nos processos formativos. Metodologicamente, trata-se de uma pesquisa qualitativa de análise integrativa, cujos dados foram submetidos à análise de conteúdo temática. Os resultados evidenciam que lacunas na formação docente, associadas à precarização das condições de trabalho, à sobrecarga emocional e à ausência de suporte institucional, configuram fatores de risco significativos para o sofrimento psíquico e para o desenvolvimento de quadros como estresse crônico e síndrome de burnout. Em contrapartida, identificam-se estratégias de enfrentamento centradas no apoio entre pares, na ressignificação do trabalho pedagógico e na busca por formação continuada. Como contribuição, o estudo propõe a articulação entre formação docente e políticas institucionais de cuidado como eixo estruturante para a promoção da saúde mental no campo da educação especial, indicando a necessidade de modelos formativos mais integrados, que considerem simultaneamente dimensões técnicas e psicossociais da docência.
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