RACISMO, COLONIALISMO E EDUCAÇÃO: A FORMAÇÃO DE PROFESSORES COMO ESTRATÉGIA PARA A TRANSFORMAÇÃO DAS PRÁTICAS ESCOLARES

Autores

  • Vanessa Groehs Pozza Universidad Europea del Atlántico (UNEATLANTICO), Santander, Espanha
  • Mateus de Macedo Universidad Europea del Atlántico (UNEATLANTICO), Santander, Espanha
  • Marina Witt Stoberl Universidad Europea del Atlántico (UNEATLANTICO), Santander, Espanha
  • Nádia Alves dos Santos Fortinni Universidad Europea del Atlántico (UNEATLANTICO), Santander, Espanha
  • Júlio César Belo Gervásio Universidad del Sol (UNADES), Ciudad del Este, Paraguai
  • Elcia Geralda Dias Centro Universitário Vale do Rio Verde (UNINCOR) Três Corações, Brasil

DOI:

https://doi.org/10.66104/19x10f40

Palavras-chave:

Racismo estrutural; Colonialidade; Educação antirracista; Formação de professores; Descolonização do saber.

Resumo

O presente artigo analisa as relações entre racismo, colonialismo e educação, com ênfase na formação de professores como estratégia fundamental para a transformação das práticas escolares. Partindo de uma abordagem qualitativa, de natureza bibliográfica e ancorada em referenciais críticos e decoloniais contemporâneos, o estudo discute como a colonialidade do poder, do saber e do ser estrutura historicamente o racismo na sociedade brasileira, reproduzindo desigualdades no campo educacional. A partir do diálogo com autores clássicos e com a literatura recente (2020–2025) sobre educação antirracista e pedagogias decoloniais, argumenta-se que a escola constitui um espaço ambíguo, simultaneamente reprodutor e potencialmente transformador das relações étnico-raciais. Evidencia-se que práticas pedagógicas ainda marcadas pelo eurocentrismo, pelo silenciamento e pela naturalização de estereótipos contribuem para a manutenção do racismo estrutural no cotidiano escolar. Nesse contexto, defende-se que a formação docente crítica, contínua e situada é condição indispensável para a construção de práticas educativas comprometidas com a justiça social e a valorização da diversidade cultural. Conclui-se que a incorporação de perspectivas decoloniais na formação de professores potencializa a construção de uma educação antirracista, capaz de tensionar hierarquias históricas e promover processos efetivos de transformação social no Brasil.

Downloads

Os dados de download ainda não estão disponíveis.

Referências

ABRAMOVAY, Miriam; CASTRO, Mary Garcia. Relações raciais na escola: reprodução de desigualdades em nome da igualdade. Brasília: UNESCO, 2006.

ALMEIDA, Silvio Luiz de. Racismo estrutural. São Paulo: Pólen, 2019.

BARDIN, Laurence. Análise de conteúdo. São Paulo: Edições 70, 2011.

BONNICI, Thomas. Teoria pós-colonial: conceitos, práticas e críticas. Maringá: Eduem, 2005.

CASTRO, Eduardo Viveiros de. A inconstância da alma selvagem. São Paulo: Cosac Naify, 2005.

FERREIRA, Ana Paula; SOUZA, Ricardo. Racismo no cotidiano escolar: invisibilização e práticas pedagógicas. Revista Brasileira de Educação, v. 29, 2024.

FANON, Frantz. Pele negra, máscaras brancas. Salvador: EDUFBA, 2008.

GATTI, Bernadete A. Formação de professores no Brasil: características e

problemas. Educação & Sociedade, Campinas, v. 42, 2021. DOI: https://doi.org/10.1590/es.249276

GEERTZ, Clifford. A interpretação das culturas. Rio de Janeiro: LTC, 2008.

GOMES, Nilma Lino. Educação, identidade negra e formação de professores. Belo Horizonte: Autêntica, 2020.

HOOKS, Bell. Ensinando a transgredir: a educação como prática da liberdade. São Paulo: WMF Martins Fontes, 2020.

MALDONADO-TORRES, Nelson. Colonialidade e ser: contribuições contemporâneas ao pensamento decolonial. Journal of Decolonial Studies, v. 5, 2023.

MBEMBE, Achille. Crítica da razão negra. Lisboa: Antígona, 2018.

MIGNOLO, Walter D. Desobediência epistêmica: a opção descolonial e o significado de identidade em política. Buenos Aires: Ediciones del Signo, 2017.

MUNANGA, Kabengele. Rediscutindo a mestiçagem no Brasil: identidade nacional versus identidade negra. Petrópolis: Vozes, 1999.

NDLOVU-GATSHENI, Sabelo J. Decolonialidade no século XXI: desafios globais. Third World Quarterly, v. 45, 2024.

NÓVOA, António. Os professores e a sua formação. Lisboa: Dom Quixote, 2022.

OLIVEIRA, Luiz Fernandes de. Currículo e relações raciais na escola brasileira contemporânea. Cadernos de Pesquisa, v. 55, 2025.

OLIVEIRA, Luiz Fernandes de; CANDAU, Vera Maria. Educação intercultural e práticas pedagógicas. Revista Brasileira de Educação, v. 15, n. 43, 2010. DOI: https://doi.org/10.1590/S0102-46982010000100002

PAGE, Matthew J. et al. The PRISMA 2020 statement: an updated guideline for reporting systematic reviews. BMJ, v. 372, 2021.

QUIJANO, Aníbal. Colonialidade do poder, eurocentrismo e América Latina. Revista de Ciências Sociais, v. 1, 2005.

RIBEIRO, Djamila. Pequeno manual antirracista. São Paulo: Companhia das Letras, 2021.

SANTOS, Boaventura de Sousa. A gramática do tempo: para uma nova cultura política. São Paulo: Cortez, 2005.

SANTOS, João; ALMEIDA, Carla. Formação docente e educação antirracista: desafios contemporâneos. Educação em Revista, v. 40, 2024.

SILVA, Petronilha Beatriz Gonçalves e. Educação e relações raciais no Brasil. Educação & Sociedade, v. 31, 2010.

SILVA, Marcos; PEREIRA, Juliana. Racismo e cotidiano escolar: práticas e discursos. Revista Educação e Pesquisa, v. 49, 2023.

SNYDER, Hannah. Literature review as a research methodology: an overview and guidelines. Journal of Business Research, v. 104, 2019. DOI: https://doi.org/10.1016/j.jbusres.2019.07.039

WALSH, Catherine. Pedagogias decoloniais: práticas insurgentes de resistir, (re)existir e (re)viver. Quito: Abya-Yala, 2019.

WEBER, Max. Economia e sociedade: fundamentos da sociologia compreensiva. Brasília: UnB, 1999.CUIDADOS DE ENFERMAGEM NO ATENDIMENTO EM PARADA CARDIORRESPIRATÓRIA. (2023). RSV, 1(1). https://rsv.ojsbr.com/rsv/article/view/173

SAÚDE PÚBLICA E SAÚDE COLETIVA: CONCEITOS E IMPACTOS NA SOCIEDADE. (2025). RSV, 8(1), 1-15. https://doi.org/10.61164/rsv.v8i1.4230 DOI: https://doi.org/10.61164/rsv.v8i1.4230

PERFIL DOS CASOS DE COQUELUCHE NO BRASIL: UM OLHAR PARA A IMPORTÂNCIA DA VACINAÇÃO. (2025). RSV, 2(2), 1-16. https://doi.org/10.61164/rsv.v2i2.3496 DOI: https://doi.org/10.61164/rsv.v2i2.3496

A IMPORTÂNCIA DA FISIOTERAPIA NO DESENVOLVIMENTO MOTOR EM CRIANÇA COM TRANSTORNO DO ESPECTRO AUTISTA. (2024). RSV, 3(1). https://doi.org/10.61164/rsv.v3i1.2239 DOI: https://doi.org/10.61164/rsv.v3i1.2239

O IMPACTO DA INTERVENÇÃO FISIOTERAPEUTICA EM CRIANÇAS COM AUTISMO. (2023). RSV, 1(1). https://rsv.ojsbr.com/rsv/article/view/181

IMPACTOS DA INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL NA ADVOCACIA BRASILEIRA: DESAFIOS E OPORTUNIDADES. (2023). RJNM, 7(1). https://doi.org/10.61164/rjnm.v7i1.2010 DOI: https://doi.org/10.61164/rjnm.v7i1.2010

OS DESAFIOS DA INCLUSÃO DE CRIANÇAS COM AUTISMO NO CONTEXTO EDUCACIONAL. (2024). RJNM, 11(1). https://doi.org/10.61164/rjnm.v11i1.2913 DOI: https://doi.org/10.61164/rjnm.v11i1.2913

ASSÉDIO MORAL NO AMBIENTE DE TRABALHO E A RESPONSABILIDADE CIVIL DO EMPREGADOR. (2023). RJNM, 1(1). https://jrnm.ojsbr.com/juridica/article/view/271

A APLICAÇÃO DA INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL NA ATIVIDADE DE INTELIGÊNCIA DE SEGURANÇA PÚBLICA. (2024). RJNM, 8(1). https://doi.org/10.61164/rjnm.v8i1.2936 DOI: https://doi.org/10.61164/rjnm.v8i1.2936

Downloads

Publicado

2026-04-07

Como Citar

RACISMO, COLONIALISMO E EDUCAÇÃO: A FORMAÇÃO DE PROFESSORES COMO ESTRATÉGIA PARA A TRANSFORMAÇÃO DAS PRÁTICAS ESCOLARES. (2026). RJNM, 7(02), 1-28. https://doi.org/10.66104/19x10f40